Resenha – Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação

Rodrigo Mendes Costa

E-mail: rodrigo.m.c10@gmail.com

Formação: Mestrado

Curso: Ciência da Educação Física, Esporte e Recreação. UCCFD-ISCF-CUBA

O tema proposto Kishimoto (1996) descrito minuciosamente por Barbosa (1997) é altamente pertinente e desafiador, pois nos provoca a reflexão sobre a relação dos jogos, brinquedos e brincadeiras na educação infantil, sua utilização com crianças portadoras de necessidades especiais, e, principalmente como instrumentos da intervenção na prática docente.

Por se tratar de um tema amplo e complexo que engloba várias áreas do conhecimento, preferimos não fazer nenhum tipo de julgamento a qualquer um dos autores, pelo contrário, queremos nos apropriar dessas informações, e, mais ainda, deixar claro nossas convicções sobre a importância da temática na atualidade, para, a partir daí, contemplarmos a área da educação física, apontando algumas situações, dificuldades e preocupações que ainda hoje nos defrontamos na formação docente.

Segundo Darido (2003, 2005) os objetivos e as propostas educacionais da Educação Física foram se modificando ao longo dos últimos anos, e todas as tendências, de algum modo, ainda hoje influenciam a formação do profissional e suas práticas pedagógicas. Na Educação Física, assim como em outros componentes curriculares, não existe uma única forma de se pensar e implementar a disciplina na escola.

Para a autora, na nossa prática, as perspectivas pedagógicas que se instalam não aparecem de forma pura, mas com características particulares, mesclando aspectos de mais de uma linha pedagógica. Em outras palavras, dificilmente seguimos uma única abordagem.

De acordo com a mesma autora, é possível melhorar a coerência entre o que se pensa estar fazendo e o que realmente realizamos, quando se conhecem os pressupostos pedagógicos que estão por trás da atividade do ensino.

Nesse sentido, Neira (2003) relata que nos últimos anos, as pesquisas sobre a formação inicial de educadores têm constatado muitos problemas, mas também tem indicado caminhos. O autor ressalta o distanciamento entre os currículos de formação e os desafios da prática docente escolar. Na especificidade do professor de Educação Física, aponta uma dissociação entre a escola de formação inicial e a escola-campo de trabalho, onde ocorre a outra etapa da formação do educador, a formação contínua. Se na formação inicial o eixo encontra-se nos saberes da experiência dos futuros professores e nos saberes do currículo; na formação contínua, o eixo central está na reflexão crítica que deve ocorrer na experiência profissional e a partir dos saberes advindos dela.

Conforme o autor, ao colocarmos a questão dos saberes como referência importante ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de educadores em serviço, é oportuna nos apoiarmos na discussão apresentada por Pimenta sobre os saberes da docência. Segundo a autora, a discussão da identidade profissional do professor tem como suporte teórico-metodológico a questão dos saberes da docência: os saberes da experiência, os saberes do conhecimento e os saberes pedagógicos, os quais devem vincular-se ao desenvolvimento dos processos de reflexão docente sobre a prática. Assim, é no confronto e na reflexão sobre e a partir das práticas dos saberes pedagógicos que os professores criam novas práticas.

O mesmo autor menciona Fusari, quando afirma que a formação inicial será de melhor qualidade se tiver a prática profissional como referência e como objeto de estudo.

Também buscando relacionar prática pedagógica e poucas experiências de formação continuada vividas pela maioria do corpo docente, (NEIRA, 2003) relembra as preocupações dos professores centralizados, sobretudo, no objeto de ensino. Nesse sentido, inexiste qualquer envolvimento ou concentração nos processos de desenvolvimento dos alunos ou na busca de um entendimento de como eles aprendem. O estudo da aprendizagem em si parece ter sido esquecido pelo professor. Assim muito concentrados nos objetos de ensino, os professores abrem mão involuntariamente de compreender, estudar e pesquisar sobre a aprendizagem e o desenvolvimento dos seus alunos.

Todavia, o autor citando Castro alerta que o essencial é o estímulo à inteligência do aprendiz, pois a aquisição do conhecimento deveria ser sempre a ocasião de um crescimento intelectual. Assim, compreendendo que na sociedade atual o professor se torna, cada vez mais, um elemento fundamental na mediação dos processos constitutivos da cidadania dos alunos, para que ocorram a superação do fracasso e das desigualdades escolares, repensar a formação desses profissionais revela-se uma das prioridades no início deste milênio; onde, as novas tendências investigativas sobre a formação de professores valorizam o que tem se denominado professor reflexivo, apoiados em competências-capacidades que se apóiam em conhecimentos, aspectos cognitivos, sócio-afetivos e psicomotores que se expressam, de forma articulada, em ações cotidianas, influindo, de forma significativa, na obtenção de resultados distintos de qualidade.

Contudo, temos observado com preocupação que a grande maioria dos professores na área de Educação Física na atualidade, ainda continua na busca das famosas receitas de bolo, consideradas aqui, como uma listagem descontextualizada de jogos e brincadeiras, sem se quer utilizando-se dos brinquedos como suporte no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, tornando suas práticas principalmente na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, em uma ação fragmentada e distante de qualquer tipo de transformação no âmbito escolar.

Finalizando, vale ressaltar, que concordamos com Kishimoto (2009) que recomenda como referencial importante a valorização dos jogos na educação, ou seja, brinquedos e brincadeiras como formas privilegiadas de desenvolvimento e apropriação do conhecimento pela criança e, portanto, instrumento indispensável da prática pedagógica e componente relevante de propostas curriculares.

BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, M.C.S. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. Educ. Soc. vol.18 no.59 Campinas Aug. 1997.

DARIDO, S.C; RANGEL, I.C.A. Educação física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

DARIDO, S.C. Educação física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

KISHIMOTO, T.M. (Org). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 12.ed. São Paulo: Cortez, 2009.

NEIRA, M.G. Educação física: desenvolvendo competências. São Paulo: Phorte, 2003.

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Sobre rodrigomc10

PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA
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Uma resposta para Resenha – Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação

  1. rodrigomc10 disse:

    Atividade reflexiva desenvolvida durante curso promovido pelo Portal Educação.

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